Final de ano, época de correria e de reavaliações. É o momento ideal para alimentar a nossa alma, nossa mente e principalmente o nosso cérebro- que produz o nosso ânimo químico, físico e emocional- com doses de lições de vida. Grandes mestres da humanidade, como Jesus Cristo, Buda e nosso atual Dalai Lama, nos presenteiam com sua magnitude em energias, que de tamanha carga vibracional, nos inspiram e nos curam, através das palavras e atos de fé que cada um deles demonstra, independente do componente religioso, sobre a sua fé no ser humano e sua fé na dádiva da vida.

Quando refletimos sobre suas vidas e suas missões e nos permitimos imaginar sendo acompanhados pessoalmente por eles e sermos conduzidos pelo seu amor e suas crenças iluminadas, na tomada de nossas próprias decisões , poderemos transcender nossas condições limitadas e nos tornar mais sábios e mais próximos da luz.

Me imagino caminhando lentamente em um gramado extenso ao lado de nosso 14 Dalai Lama- Tensin Gyatso, imagino-o me olhando com aquele olhar que possui a maior meiguice e humildade que já vi em um ser humano, e com aquele sorriso que eu poderia repousar eternamente nele, falando delicadamente: “Além de meu interesse pela ciência como você, sou um entusiasmado jardineiro. Mas a jardinagem é freqüentemente uma atividade que alterna sucessos e fracassos. Você pode passar bastante tempo preparando a terra, plantando cuidadosamente as sementes, cuidando delas e regando as mudas. E ainda assim, outras condições que estão além de seu controle- particularmente em lugares como Dharamsala, onde eu moro, e onde ocasionalmente há calor excessivo- podem impedir que estes esforços cheguem a dar resultados. Portanto, como outros jardineiros poderão confirmar, é uma alegria especial ver as plantas que você cultivou crescerem e florescerem.” Respiro profundamente e sinto uma tranqüilidade imensa tomar conta de todo o meu corpo e mente, aliviando os meus questionamentos se estou fazendo o meu melhor e penso que também, tenho o meu jardim para cuidar e mesmo que muitas vezes as condições não sejam favoráveis nunca poderão tirar o meu prazer de ser uma jardineira.

Seguimos caminhando e ele me fala sobre meditação: “Uma das coisas que aprendemos com a meditação, quando descemos lentamente dentro de nós mesmos, é que a noção de paz já existe em nós. Todos a desejamos profundamente, mesmo que esse desejo esteja muitas vezes oculto, disfarçado, distorcido”. Me recordo que quando iniciei minha prática da meditação, não reconhecia esta natureza e desejo de paz em mim, mas conforme fui praticando disciplinadamente , fui descendo cada vez mais profundo dentro do meu ser e me encontrei com a minha própria paz, que não estava lá fora, não estava em algo ou alguém , e sim dentro de mim e pergunto ao Dalai Lama: E como alcançar a iluminação? Ele me olha com compaixão , bem fundo nos meu olhos e pausadamente, refletindo cuidadosamente sobre cada palavra, me revela: “ Quando a clara e límpida natureza da mente está escondida ou impedida de expressar sua verdadeira essência devido a emoções ou pensamentos angustiantes, diz-se que a pessoa foi pega em samsara, o ciclo da existência. Quando, porém, em decorrência da aplicação de técnicas e práticas de meditação apropriadas, uma pessoa é capaz de usufruir totalmente desse estado da mente, então ela está no caminho da verdadeira libertação e total iluminação”.

Continuamos a caminhada e um longo silencio repousa sobre nós, precisamos sentir e entender nossas jornadas. Pensei em fazer uma pergunta e antes mesmo que eu pudesse formulá-la ele me dá um vasto sorriso e finaliza : “ Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Essas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto”.

Meu encontro é imaginário com Dalai Lama, mas o que ele me revela estão no seu livro – Palavras de Sabedoria. Quando produzo este encontro mental, meu cérebro que é um órgão, que apenas recebe as informações descarregadas do meu pensamento, sem capacidade de distinguir se é uma cena verdadeira ou imaginária, toma um “ banho químico” de paz, alegria, satisfação, criatividade e compaixão. Sinto vontade de amar mais, perdoar mais, compreender mais, fazer mais , me dedicar mais e me dá a certeza que tudo está valendo a pena e que é um movimento perfeito.

Um abraço!

ASS ROSALIA

 

Rosalia Schwark
Psicóloga Especialista em Neurociência
Criadora do Método Movimento Perfeito

 

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