Podemos pensar em emoções como “estados internos” que resultam da maneira como percebemos nós mesmos e o mundo, que emergem o tempo todo, desde a mais tenra idade, de forma mais ou menos intensa. Às vezes nos invadem como uma torrente, em outras ocasiões se instalam de forma lenta, tomando conta de nossos gestos, expressões, palavras e pensamentos, muitas vezes desencadeando círculos viciosos que costumam trazer problemas quando não são interrompidos. Deflagrada a primeira emoção, em algumas situações é preciso certa dose de empenho para não deixarmos que se alastre de maneira desmedida, não por acaso, com freqüência as pessoas procuram ajuda de psicoterapeutas se queixando da dificuldade de equilibrar emoções e buscam maneiras mais saudáveis de lidar com o que sentem.

Você já contou alguma vez quantos estados emotivos experimenta no decorrer de um único dia? Antes mesmo de sair do quarto se alegra ao perceber que o dia está lindo, pouco depois, irrita-se que não tem mais pão para o seu café da manhã, o trânsito congestionado lhe deixa ansioso, inveja a moça passeando no parque, fica constrangido que esqueceu o aniversário do colega , entusiasmado com um convite para sair para jantar….

Alegria, tristeza, indignação, raiva, medo…o que sentimos influi em nossos pensamentos e ações. 
Afinal, o que acontece conosco, com nosso corpo e nossos sentimentos, quando nos apaixonamos, nos irritamos profundamente, choramos de tristeza ou somos inundados por ondas de alegria?

Cada emoção gerada, tem um caminho químico no cérebro que irá produzir reações no corpo e na ação externa. A emoção mais disputada e desejada- o amor,por exemplo, passa por diferentes fases e a ciência tenta explicar como se concretiza esse complexo sentimento. Até que a atração inicial vire afetividade e se transforme em amor, o organismo sofre inúmeras reações químicas comandadas pelo cérebro. Um olhar , um toque, uma palavra pronunciada pela pessoa amada se convertem na liberação de diversos hormônios. Ao identificar uma pessoa considerada atraente pelo córtex visual e córtex olfativo, o cérebro repassa a informação à amígdala, que aciona uma série de reações químicas. Os níveis de adrenalina e noradrenalina aumentam, causando palpitações, respiração ofegante, frio na barriga e moleza nas pernas. Se a atração é mútua, o cérebro libera maior quantidade de dopamina, substância responsável pelos circuitos cerebrais de bem-estar e prazer. Durante a fase de enamoramento, fica-se em um estado mental alterado por causa da redução do nível de serotonina, o que leva a pensamentos obsessivos sobre o ser amado. Caso o sentimento seja correspondido, tanto o homem quanto a mulher têm elevados os níveis de testosterona, o que aumenta a libido. A partir disso, inicia-se uma nova série de alterações biológicas, que culmina com a relação sexual e pode levar à união. Com o parceiro escolhido, o próximo passo é buscar o estreitamento de vínculos. Por meio da relação sexual, homem e mulher liberam no sangue substâncias do vínculo, como a oxitocina e a vasopressina. A cada contato e a cada conversa e ato de carinho com o parceiro, o corpo libera oxitocina que estimula a manutenção do vínculo, e assim , amor vai evoluindo gradualmente para um sentimento de maior dependência do outro o que culmina na união e parceria.

Assim como o amor, temos várias outras emoções, produzindo diferentes caminhos químicos, o mais importante é compreender no mínimo ,as nossas quatro emoções básicas: medo ( e dela partem emoções primárias de ameaça e ansiedade e emoções secundárias de vergonha, ciúme e inveja ), felicidade ( e dela partem emoções primárias de contentamento e satisfação e emoções secundárias de amor e alegria ); raiva ( e dela partem emoções primárias de irritação e frustração e emoções secundárias de fúria e desprezo ), tristeza ( e dela partem emoções primárias de decepção e prostração e emoções secundárias de luto ).

O que sentimos funciona como uma espécie de filtro para lidarmos com os estímulos tanto internos quanto externos. Emoções impõem limites e, por meio delas, avaliamos situações, regulamos , motivamos e coordenamos comportamentos. Isso se mostra indispensável no dia-a-dia, pois um processamento emocional prejudicado pode nos causar muitos problemas. Quanto melhor perceber o que sentimos e suportá-lo, respeitando os nossos limites e os dos outros, mais fácil fica manter o equilíbrio interno e externo, ou seja, demonstramos a nossa educação emocional.O fato é que as emoções são indispensáveis para a interação e ação interpessoal: sem elas, os fundamentos para uma rotina bem-sucedida deixam de existir. As emoções também são essenciais para a capacidade de aprendizagem implícita e inconsciente, assim como, para decisões sensatas. Em outras palavras, o gerenciamento das emoções é capacidade essencial para um equilíbrio interno e nas relações com os outros.

Quanto mais uma pessoa olha para si buscando compreender os próprios mecanismos de funcionamento de suas emoções e responsabiliza-se pelo que está sentindo, ao invés, de culpar o ambiente ou pessoas, por situações que deflagram reações negativas, maior será o seu sentimento de satisfação em controlar suas emoções e seu sentimento de poder em não ser vulnerável ao outro, ou a estímulos externos.
Aprender a entender nossas emoções, administrá-las com maestria de quem assume que a vida e tudo que advém dela é fruto de nossa produção interna, será a mais eficiente ferramenta de poder pessoal.

Um abraço!

ASS ROSALIA

 

Rosalia Schwark
Psicóloga Especialista em Neurociência
Criadora do Método Movimento Perfeito

 

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